A busca por ambientes com personalidade recolocou a cozinha retrô no centro das atenções de arquitetos e moradores. O estilo, que mistura referências de décadas passadas com recursos atuais, reaparece como alternativa para quem deseja unir memória afetiva e funcionalidade, apontam os arquitetos João Panaggio e Mariana Olha.
Entre o ontem e o hoje
Segundo Panaggio, o visual retrô se define pela “capacidade de transitar entre tempos”, combinando revestimentos modernos a traços clássicos. Mariana Olha completa: trata-se de “trazer a história para o presente”, sem abrir mão do conforto exigido pela rotina contemporânea.
Retrô, vintage ou mid-century?
A reportagem distingue três conceitos frequentemente confundidos:
- Retrô: releitura atual de elementos antigos.
- Vintage: uso de peças originais de época.
- Mid-century: linguagem típica dos anos 1940 a 1960, marcada por linhas retas e influência industrial.
Entre os três, o retrô é o mais flexível, pois permite adaptar medidas e tecnologias sem prejuízo ao desenho.
Cores que marcam presença
Tons como azul-turquesa, verde musgo, mostarda, vermelho canela, rosa queimado e uva aparecem com frequência. O conselho de Panaggio é equilibrar as tonalidades com bases neutras para evitar excesso de informação. A citação a Lúcio Costa — “O céu é o mar de Brasília” — inspirou, por exemplo, a aplicação de ladrilho azul-turquesa em áreas molhadas.
Marcenaria detalhada
Portas com molduras, vidro canelado e puxadores do tipo concha reforçam o clima nostálgico. “A marcenaria desenhada com adornos constrói o contexto do projeto”, afirma Panaggio. Já Mariana lembra que esses detalhes remetem à “casa de vó”, evocando lembranças da infância.
Objetos que contam histórias
Batedeiras antigas, louças coloridas, quadros e eletrodomésticos restaurados completam a atmosfera. Para os profissionais, essas peças convidam o morador a embarcar em um universo carregado de afeto, sem comprometer a usabilidade do espaço.
Imagem: Juliano Colodeti
Como evitar o efeito cenográfico
A principal recomendação é manter coerência em revestimentos, cores, mobiliário e iluminação. O resultado não deve reproduzir literalmente cozinhas de outra época, mas sim criar uma “linguagem” que dialogue com eletrodomésticos atuais — sejam eles modelos inspirados em décadas passadas ou aparelhos de linhas minimalistas.
Prioridades de investimento
Especialistas sugerem concentrar o orçamento em itens fixos e duráveis, como marcenaria, infraestrutura e eletrodomésticos. Objetos soltos podem ser trocados ao longo do tempo, permitindo que a cozinha acompanhe as mudanças da casa e do cotidiano.
Com combinações de cores marcantes, móveis sob medida e peças garimpadas, a cozinha retrô volta a ganhar espaço como resposta ao desejo por ambientes cheios de identidade, sem abrir mão da funcionalidade exigida pelo dia a dia.
Com informações de revistacasaejardim.globo.com

