O empresário e consultor Carlos Bessa, fundador da Plataforma Setor Moveleiro, afirma que a implementação do novo modelo tributário programado para 2026 exigirá mudanças imediatas na gestão das indústrias de móveis. Segundo ele, a alteração fiscal transforma o caixa em peça central da estratégia e obriga as companhias a rever processos de margem, contratos e controle via ERP.
Pressão além do mercado
Bessa considera que o setor já está habituado a lidar com variações de demanda, sazonalidade e custos, mas destaca que a transição tributária cria um tipo de pressão inédita: “não é apenas mercado, preço ou juros – é sistema”, diz. A nova regra, mesmo em fase de testes, afeta cadastros de produtos, classificação fiscal, bônus, devoluções e prazos, alcançando toda a cadeia B2B.
Tríade de preparação
O consultor resume o desafio em três frentes:
- Margem: gestão de preço, mix, política comercial e devoluções;
- Caixa: ciclo financeiro, prazos, crédito e velocidade de giro;
- Conformidade: qualidade de dados, regras no ERP e rastreabilidade fiscal.
Para ele, empresas que tratam esses temas como áreas isoladas perderão competitividade, enquanto quem integrar as três ganhará poder de negociação.
ERP como motor de decisão
Bessa reforça que o sistema de gestão não deve ser visto apenas como emissor de notas fiscais. Simulações de cenários — como vendas com descontos, frete, bonificações e devoluções — precisam mostrar impacto no caixa em até dez minutos. “Quem não testar dentro do ERP vai reagir quando o problema virar boleto”, adverte.
Contratos e devoluções em evidência
Cláusulas referentes a preço, reajuste, bonificação e responsabilidade tendem a ganhar peso nas negociações com varejistas e fornecedores. Já as devoluções, comuns no segmento, revelarão o custo real da operação sob a nova legislação, exigindo medição detalhada de produto, frete, reprocesso, crédito e tempo.
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Plano de ação sugerido
O especialista lista passos considerados essenciais:
- Inventariar políticas comerciais e auditar cadastros (NCM, alíquotas, regras por UF);
- Designar responsáveis por cada processo, como venda, devolução, faturamento e logística;
- Mapear fluxos críticos — devolução, garantia, consignação e triangulação;
- Calcular impacto no ciclo de caixa e na margem líquida por cliente ou canal;
- Rodar dez cenários reais no ERP antes da mudança;
- Revisar contratos com base nas simulações;
- Implantar rotina semanal de governança que una margem, caixa e conformidade.
Previsibilidade como vantagem
Na visão de Bessa, a transição tributária valorizará fornecedores que entregam previsibilidade — documentação correta, processos claros e prazos confiáveis — em vez de apenas preço baixo e rapidez. “Em vez de disputar centavos no desconto, o diferencial passa a ser a maturidade operacional”, conclui.
Empresas que não se adequarem podem sofrer com ciclos financeiros longos, alto custo de devolução e perda de margem. Para o consultor, 2026 funcionará como teste de governança que pode se converter em vantagem competitiva para quem se antecipar.
Com informações de Setor Moveleiro
