Localizada em um vilarejo costeiro próximo à cidade de Lezhë, no litoral da Albânia, a Casa Vermelha foi concebida para reinterpretar a moradia unifamiliar do país. Com 350 m², o projeto leva a assinatura do arquiteto Gezim Pacarizi, do Pacarizi Studio, e responde às mudanças nos arranjos familiares, marcadas pelo retorno de gerações mais jovens, pelo envelhecimento da população e pela necessidade de residências que sirvam tanto para uso sazonal quanto permanente.
Disposição em torno de pátio central
Implantada em um pomar com oliveiras, romãzeiras e laranjeiras, a residência organiza o volume principal e os dormitórios ao redor de um pátio aberto e parcialmente coberto. No centro, uma piscina estrutura a circulação e amplia o uso do espaço nos dias mais quentes, transformando o vazio em área de estar ao ar livre. Uma escada monumental acompanha o pátio, conectando térreo, segundo pavimento e cobertura, criando uma transição contínua entre ambientes internos e vistas externas.
Integração entre interior e exterior
Grandes janelas fixas emolduram o pomar e garantem iluminação abundante, enquanto aberturas menores possibilitam ventilação cruzada. Os vãos expõem trechos de escadas, paredes e passagens, fazendo da própria construção parte da paisagem. A variação da luz ao longo do dia altera tonalidades de superfícies e volumes, reforçando a integração entre interior e exterior.
Materiais locais e soluções sustentáveis
Estruturalmente, a casa utiliza concreto, e as paredes externas são feitas de tijolos ocos regionais com 46 cm de espessura, contribuindo para estabilidade térmica. O isolamento reúne palha, areia e cal, unidos por caseína — proteína do leite tradicionalmente empregada em técnicas naturais — substituindo o cimento convencional. Óxido de ferro vermelho incorporado à argamassa garante a tonalidade avermelhada definitiva, dispensando pintura futura.
Imagem: Instagram
Nos pisos, mármore rosado local se combina com madeira, reforçando a preferência por insumos disponíveis na região. A obra foi executada por equipes reduzidas, gerando poucos resíduos e priorizando durabilidade, economia e sustentabilidade alinhadas à cultura construtiva local.
Com informações de revista Casa e Jardim

