O município de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, transformou a proximidade entre fornecedores, fábricas e instituições em um modelo produtivo apontado pelo setor como “terroir moveleiro”. A soma de tradição, infraestrutura e apoio institucional garante agilidade na cadeia, fortalece o design autoral e eleva a região ao posto de principal polo de móveis planejados do Brasil.
Raízes que moldaram a indústria
A trajetória começou em 1875 com a chegada de imigrantes italianos à Serra Gaúcha. Ferreiros, carpinteiros, marceneiros e outros artesãos trouxeram conhecimento técnico e espírito empreendedor que, segundo Cíntia Weirich, presidente do Sindmóveis (Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves), formaram a identidade resiliente da região.
Com o passar das décadas, o ofício familiar evoluiu para produção industrial. As empresas adotaram design e tecnologia, exportam para 60 países e atendem consumidores de todos os perfis no mercado interno.
Elementos do “terroir”
O sucesso local se ancora em cinco fatores:
• Logística imediata: insumos e máquinas estão a poucos quilômetros das fábricas, reduzindo custos e prazos.
• Investimento tecnológico: alto nível de automação garante precisão e escala.
• Design com identidade: criatividade regional agrega valor aos produtos.
• Mão de obra qualificada: cultura de marcenaria reforçada por cursos do Senai.
• Apoio institucional: feiras e entidades conectam empresas ao mercado externo.
Feiras impulsionam negócios
A Movelsul Brasil, sediada em Bento Gonçalves, tornou-se vitrine da produção local e uma das maiores feiras de móveis da América Latina. A 25ª edição está marcada para agosto e reunirá lançamentos de móveis seriados, planejados, corporativos, estofados e colchões, além de palestras e mostras de design. Projetos direcionados a lojistas e importadores reforçam a estratégia de ampliar exportações.
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Outro evento relevante é a Fimma Brasil, promovida pela Movergs (Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul), que conecta fabricantes a fornecedores de toda a cadeia produtiva.
Sintonia na cadeia produtiva
Segundo Weirich, ter ferragens, laminados, serviços especializados e profissionais capacitados “na porta de casa” acelera experimentação de ideias, facilita adoção de novas tecnologias e sustenta a competitividade internacional. “Tudo está conectado para tornar o polo moveleiro de Bento Gonçalves uma referência nacional”, resume.
Para o Sindmóveis, o principal aprendizado deixado pela região é a cooperação: indústrias, fornecedores, universidades e entidades atuam de forma coordenada para que ninguém cresça isolado. Esse modelo inspira outros polos que buscam desenvolver seu próprio “terroir” industrial.
Com informações de Setor Moveleiro
