A Biblioteca Mário de Andrade, primeira biblioteca pública da cidade de São Paulo e segunda maior do Brasil, completou 100 anos de inauguração em janeiro de 2026. Com mais de 3,3 milhões de itens, o equipamento cultural é depositário das Nações Unidas e referência nacional em coleções de obras raras, mapas, periódicos, multimeios e artes.
Origem e primeiras instalações
Fundada em 1926 a partir do acervo da Câmara Municipal, a então Biblioteca Municipal de São Paulo ocupou o Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril. O espaço, projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon, também abrigava a sede do jornal Diários Associados. Sob a coordenação do escritor Mário de Andrade, diretor do Departamento de Cultura, o acervo cresceu rapidamente, incorporando inclusive a Biblioteca Pública do Estado.
Projeto para um novo prédio
Entre 1934 e 1938, na gestão do prefeito Fábio Prado, Jacques Pilon foi novamente contratado, desta vez em parceria com Francisco Matarazzo, para erguer a sede definitiva na Praça Dom José Gaspar, região central da capital. A construção de volumetria simples e módulos regulares reproduziu princípios do movimento moderno com influências art déco, adotando pé-direito mais baixo para alinhar estantes e facilitar o manuseio pelos bibliotecários.
Ampliação do acervo e consolidação
Rubens Borba de Moraes, diretor a partir de 1935, viajou à Europa para adquirir livros e gravuras brasilianas, fortalecendo a coleção. Na década de 1950, a seção de obras raras já estava integrada ao acervo. Em 1960, a instituição passou a se chamar oficialmente Biblioteca Mário de Andrade em homenagem ao escritor.
Reformas e tombamentos
As primeiras grandes reformas ocorreram em 1973 e 1991. Logo após a intervenção de 1992, o edifício foi tombado pelo Conpresp. A restauração mais abrangente começou em 2005, conduzida pelo escritório Piratininga Arquitetos Associados, e incluiu recuperação estrutural, climatização controlada, higienização do acervo, restauração do mobiliário original e retorno da cor branca na fachada.
Modernização entre 2005 e 2010
A obra foi dividida em duas fases. A primeira tratou de saneamento de infiltrações, renovação de instalações elétricas e criação de novos ambientes de estudo. A Coleção Circulante, iniciada em 1944, ganhou espaço atualizado e informatizado. A segunda etapa previu a integração com o edifício do antigo IPESP para acomodar a Hemeroteca e laboratórios de preservação, além de um percurso subterrâneo nunca executado.
Imagem: Acervo Piratininga Arquitetos Associados
Acessibilidade e reconhecimento
Reinaugurada em 2011, a biblioteca foi tombada em nível estadual, junto com a Praça Dom José Gaspar, pelo Condephaat em 2013. Em 2017, recebeu o Selo de Acessibilidade da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, após adaptações como rampas e corredores de vidro. A média de público diário saltou de 170 visitantes para cerca de 1.200 em 2018.
Programações culturais dentro e fora do edifício, preservação do patrimônio arquitetônico e constante atualização do acervo sustentam o papel da Biblioteca Mário de Andrade como polo de conhecimento e encontro no centro paulistano.
Com informações de Casa e Jardim

