São Paulo – Valentino Garavani, nome fundamental da alta-costura internacional, faleceu na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, aos 93 anos. Reconhecido pelo tom “rosso Valentino” e pelo olhar minucioso para cortes e silhuetas, o criador marcou a história da moda ao longo de quase seis décadas.
Início e ascensão
Nascido em Voghera, norte da Itália, em 1932, Valentino mudou-se aos 17 anos para Paris, onde estudou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture. Antes de lançar sua própria etiqueta, passou pelos ateliês de Balenciaga, Jean Dessès e Guy Laroche.
A primeira coleção com seu nome foi apresentada na Sala Bianca do Palácio Pitti, em Florença, estreia que o colocou entre os estilistas italianos da segunda geração. Em 1967, a jornalista Eugenia Sheppard, do International Herald Tribune, o descreveu como “a Rolls-Royce da moda”, destacando a elegância comparável à de Dior, Jacques Fath e Balenciaga.
Marcos da carreira
Valentino conquistou capas de revistas como Vogue França e vestiu personalidades de relevância mundial, entre elas Monica Vitti, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn e Jackie Kennedy – que escolheu um modelo da marca para seu casamento com Aristóteles Onassis. Em 1979, lançou uma linha de jeans no Studio 54, em Nova York, fotografada por Bruce Weber, e expandiu o portfólio para óculos, incluindo o modelo Oliver.
Em 2007, aos 75 anos, deixou o comando criativo da grife que leva seu nome. Hoje, a marca pertence ao fundo catariano Mayhoola for Investments e tem Pierpaolo Piccioli como diretor criativo.
Parceria e legado
A gestão dos negócios sempre foi dividida com Giancarlo Giammetti, parceiro profissional e amigo íntimo. A dupla espelhou, na Itália, a dinâmica de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé: Valentino concentrado na criação, Giammetti na administração. Juntos, consolidaram o “Made in Italy” como sinônimo de sofisticação.
Além das passarelas
Obcecado pela estética, Valentino aplicou sua visão também à decoração de interiores. “Se eu não tivesse me tornado estilista, teria sido designer de interiores”, declarou em diferentes entrevistas. Entre as residências que exibem esse apreço pelo detalhe estão a Villa Appia Antica, em Roma; o Château de Wideville, próximo a Paris; uma casa do século 19 em Holland Park, Londres; um apartamento em Nova York; o chalé Gifferhorn, em Gstaad, na Suíça; e um iate.
Imagem: Getty s
Ambientes cenográficos, mosaicos, tecidos exclusivos e obras de arte – como uma pintura Mulheres Sentadas, de Pablo Picasso, exposta na sala principal da villa romana – compõem o universo criado pelo estilista, que dizia “embelezar tudo o que toca”.
Últimos anos
Após deixar as passarelas, Valentino passou a dedicar-se às suas casas, a receber amigos em pequenos grupos e a colecionar arte. A paixão pela beleza permaneceu até o fim, alinhada à fama de perfeccionista que guiou sua trajetória desde a juventude em Paris.
O funeral será restrito à família e a amigos próximos, segundo comunicado dos representantes do estilista. Informações sobre homenagens públicas não foram divulgadas.
Com informações de Casa Vogue

