No mesmo 25 de janeiro em que São Paulo festeja sua fundação, o Pateo do Collegio celebra o próprio aniversário. O conjunto arquitetônico, erguido em 1554 como cabana de pau a pique construída por indígenas, marca o local exato onde a capital paulista começou a tomar forma.
Da cabana ao colégio jesuíta
A primeira estrutura, descrita pelos jesuítas — sobretudo por São José de Anchieta — não deixou vestígios físicos. Em 1556, o jesuíta Pe. Afonso Brás substituiu a cabana por um colégio em taipa de pilão, batizado de Colégio de São Paulo de Piratininga. Na década de 1670, o complexo recebeu fundações de pedra, reforçando a construção.
Mudanças de uso e reformas
Com a expulsão dos jesuítas em 1759, o prédio mudou de função: tornou-se residência dos governadores em 1765 e, depois, Palácio do Governo. Uma ala lateral erguida nesse período foi demolida por volta de 1870. A reforma mais recente, concluída em 2009, contou com o artista Cláudio Pastro e integrou azulejos inspirados no barroco, peças sacras históricas e um altar de granito rosa.
Arquitetura preservada
Apesar das intervenções, o Pateo mantém elementos coloniais, como a parede de taipa do século XVI e as bases de pedra do século XVII. O estilo é essencialmente colonial, com referências clássicas visíveis no frontão da igreja. Estruturas de concreto armado e alvenaria de tijolos convivem com os materiais originais, preservados por meio de manutenção preventiva que inclui limpeza de telhados, poda de árvores e dedetização contínua.
Acervo histórico e educativo
Hoje o complexo abriga:
- Igreja São José de Anchieta;
- Museu Anchieta, com arte sacra dos séculos XVI ao XX, mapas e maquetes;
- Biblioteca Pe. Antônio Vieira, especializada na história de São Paulo e da Companhia de Jesus.
Entre a igreja e o antigo colégio, o jardim interno batizado Praça Ilhas Canárias recorda os mais de 470 anos de ocupação contínua da área.
Imagem: Halley Pacheco de Oliveira
Proteção e gestão
O Pateo do Collegio foi tombado em 2015 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo, que reconheceu seu valor arquitetônico e simbólico. A manutenção do espaço é responsabilidade da Companhia de Jesus, ordem religiosa que originou o colégio.
Situado no centro da cidade, próximo à Catedral da Sé, ao Museu Catavento e ao Farol Santander, o Pateo permanece como referência visual e histórica do desenvolvimento paulistano, do período colonial ao presente.
Com informações de revistacasaejardim.globo.com

