A cadeira Thonet, concebida no século 19 por Michael Thonet, segue presente em projetos residenciais e comerciais contemporâneos. Arquitetos e designers apontam a leveza, a versatilidade e a produção industrial pioneira como fatores que garantem a permanência do modelo no mercado de decoração.
Origem e avanço tecnológico
Michael Thonet desenvolveu a técnica de curvar madeira a vapor, método que possibilitou fabricar peças leves, resistentes e padronizadas. O modelo mais conhecido, a cadeira nº 14 — posteriormente chamada de 214 — foi produzido em madeira de faia curvada e se tornou símbolo da lógica industrial aplicada ao mobiliário.
Na época, a marca foi uma das primeiras a operar globalmente. As cadeiras eram enviadas desmontadas: até 36 unidades cabiam em uma única caixa, prontas para montagem no destino final.
Aplicações atuais
A capacidade de transitar por diferentes estilos arquitetônicos mantém a Thonet em evidência. Profissionais como a arquiteta Ana Sawaia observam que a peça se adapta a cozinhas, salas de jantar, home offices e até espaços de estar, ocupando pouco lugar e facilitando a circulação. Já a arquiteta Camila Abraão, do escritório Casulo, destaca o efeito visual quando usada em pequenas quantidades em mesas de apoio ou em cozinhas integradas.
No campo das composições mais ousadas, o arquiteto João Panaggio recomenda utilizar a cadeira como elemento artístico, isolada ou até pendurada, ainda desmontada, para ressaltar sua importância histórica.
Critérios de escolha
Antes de incorporar a peça a um projeto, Ana Sawaia recomenda avaliar escala e proporção do ambiente, já que o desenho leve da Thonet favorece locais onde não se deseja volume excessivo. Em espaços dominados por linhas retas, Panaggio sugere que as curvas da cadeira criem contraste e conferem dinamismo ao conjunto.
Imagem: Juliano Colodeti
Materiais e cores
Segundo os profissionais consultados, a Thonet dialoga bem com diferentes materiais: madeira reforça o caráter atemporal; concreto e pedra equilibram peso e leveza; tecidos naturais acrescentam aconchego. Embora a versão em madeira natural seja clássica, opções coloridas podem transformar a leitura do ambiente, tornando-se ponto focal em composições neutras.
Cuidados e autenticidade
A palhinha do assento é material delicado e pode limitar o uso em áreas de grande circulação, destaca Camila Abraão. Já Panaggio aconselha atestar a procedência para evitar réplicas. Para quem busca propostas conceituais, ele sugere expor a cadeira ainda embalada, remetendo à forma como era comercializada originalmente.
Quase 200 anos após seu lançamento, a Thonet mantém a relevância ao combinar técnica, racionalidade construtiva e desenho preciso, características que continuam a atrair profissionais de arquitetura e decoração.
Com informações de revistacasaejardim.globo.com

