Com o avanço do trabalho remoto, transformar um cômodo – ou mesmo parte dele – em escritório deixou de ser improviso e passou a ser item de primeira necessidade em muitas residências. Quando o imóvel tem metragem reduzida, cada centímetro conta e o planejamento torna-se decisivo, afirmam arquitetos consultados.
Definir onde instalar a bancada
Segundo Leonardo Bolsi, do escritório Lema Arquitetos, tudo começa pela rotina do morador. A frequência de uso, o tempo que se permanece diante do computador e a natureza das tarefas orientam a escolha entre integrar o home office a outro ambiente ou optar por um cômodo exclusivo.
Em famílias com circulação intensa ou trabalhos que exigem concentração, a recomendação é criar um espaço isolado. Portas tipo camarão aparecem como alternativa para garantir privacidade sem sacrificar a integração quando desejada. Já em atividades eventuais, a bancada pode dividir área com sala ou quarto, desde que delimitada por estantes vazadas, painéis ou jogo de luzes.
Mobiliário proporcional, ergonomia em primeiro lugar
Para apartamentos compactos, a regra é evitar peças superdimensionadas. “Uma mesa grande demais prejudica a circulação e causa sensação de aperto”, observa Bolsi. A mesa precisa comportar notebook, monitor extra, livros e demais itens usados diariamente, completa Lívia Leite, do Estúdio Maré. Móveis sob medida, prateleiras leves e soluções verticais ajudam a organizar sem sobrecarregar o visual.
A cadeira adequada é item obrigatório. Modelos ergonômicos preservam a postura de quem passa horas diante da tela, reforça a arquiteta Marcela Lamonato, do Calamo Arquitetura.
Iluminação natural e artificial equilibradas
Posicionar a mesa perto da janela melhora o aproveitamento da luz do dia, reduz o cansaço visual e valoriza a ventilação, indica a arquiteta Bianca d’Angelo. Para as horas em que a claridade externa não basta, a equipe do Calamo Arquitetura sugere lâmpadas de branco quente em luminárias direcionáveis ou arandelas estrategicamente instaladas.
Imagem: Juliano Colodeti
Cores, decoração e economia
Paleta neutra ou tonalidades claras ampliam a percepção de espaço, enquanto cores escuras devem aparecer em doses controladas para não cansar a vista, avalia Bianca. O princípio do “menos é mais” também vale para objetos: permanece apenas o essencial ao trabalho diário, pontua Marcela.
Na hora de economizar, planejamento é a chave. Investir somente em móveis e equipamentos que terão uso efetivo evita gastos desnecessários, lembra Bolsi. A marcenaria planejada, embora tenha custo inicial maior, otimiza a área disponível e pode dispensar futuras adaptações.
Os especialistas destacam, por fim, que a combinação de móveis sob medida, iluminação adequada e organização vertical torna viável instalar um escritório funcional mesmo em apartamentos com poucos metros quadrados.
Com informações de Revista Casa e Jardim

