São Paulo — Um refúgio de 706 m² erguido em um lote de 5 mil m² no interior paulista transformou a preservação de uma árvore nativa no eixo de todo o projeto arquitetônico. Assinada pelo Estúdio Naia, dos arquitetos Dayane Rosseto e Samuel Cury, a residência foi concebida para fins de semana, reunindo amigos e familiares sem abrir mão do contato direto com a paisagem.
Integração com a copa central
A casa ocupa a parte mais alta do terreno, marcado por aclive suave e vegetação abundante. A decisão de manter uma grande árvore situada no centro orientou a implantação em três volumes distintos — bloco social, setor de serviços e ala privativa — dispostos de forma a “abraçar” a copa preservada.
Modernismo revisitado
Na fachada, volumes puros, linhas retas e materialidade expressiva reverenciam o modernismo brasileiro em leitura contemporânea. Painéis ripados de cumaru filtram a luz e garantem privacidade, enquanto grandes planos de vidro conectam interior e exterior.
Living é o coração da casa
Com pé-direito elevado e caixilhos deslizantes, salas de estar, jantar e área gourmet formam um único ambiente que se abre quase por completo para o jardim. Pilares e lajes em concreto aparente contrastam com marcenaria de madeira maciça, abrigando peças clássicas do design brasileiro.
Uso contínuo de materiais
O piso de granito Itaúnas percorre toda a área social e externa, criando sensação de unidade. Nas paredes, pedra moledo aparece do interior à varanda gourmet, reforçando a continuidade entre ambientes.
Ala íntima voltada ao jardim
Na suíte principal, portas dobráveis de cumaru permitem abertura total para o quintal, onde jabuticabeiras recém-plantadas se somam às espécies preservadas. A paleta contida de cores e materiais cria atmosfera de descanso.
Imagem: Israel Gollino
Área externa voltada ao vale
A piscina foi posicionada diante da vista mais ampla do terreno. O espaço recebeu ainda guaimbês e outras plantas nativas, reforçando a proposta de mínima intervenção paisagística.
Tecnologia discreta
Sistema de automação gerencia iluminação e equipamentos externos sem interferir na estética. Projeto luminotécnico destaca texturas e volumes, modificando a percepção dos espaços ao longo do dia.
Ao preservar a árvore central e integrar arquitetura e vegetação, o Estúdio Naia buscou criar uma morada onde construção e paisagem coexistem em equilíbrio.
Com informações de revistacasaejardim.globo.com

