Inaugurado em 1984, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí consolidou um endereço permanente para os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. O projeto, assinado por Oscar Niemeyer (1907-2012), foi erguido em quatro meses e determinou um novo padrão para a festa ao unir funcionalidade, grande dimensão e uso múltiplo ao longo do ano.
Concepção e construção
A ideia de criar uma passarela fixa surgiu no governo de Leonel Brizola, com o então vice-governador e secretário de Educação Darcy Ribeiro — hoje homenageado no nome oficial do espaço, Passarela Professor Darcy Ribeiro. As obras começaram em setembro de 1983 e mobilizaram 2,5 mil operários e seis construtoras, que recorreram a elementos de concreto pré-moldado para cumprir o prazo do Carnaval seguinte.
O projeto previa:
- 160 salas de aula instaladas sob as arquibancadas;
- 43 salas administrativas;
- Praça da Apoteose;
- Museu do Carnaval;
- preservação da então fábrica da Cervejaria Brahma, nos fundos da via.
Dimensões e características
A passarela ocupa quase 80 mil m². Dos 730 metros lineares, 650 m são reservados ao desfile entre a Avenida Presidente Vargas (concentração) e a Praça da Apoteose (dispersão). O concreto armado domina a estrutura, enquanto curvas — marca do arquiteto — aparecem no Arco da Apoteose e nos pilares que sustentam os módulos de arquibancada. Os camarotes exibem janelas retangulares com cantos arredondados, solução semelhante à usada por Niemeyer nos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs).
Planejadas para serem elevadas e simétricas, as arquibancadas garantem visão ampla do cortejo. Originalmente, Niemeyer pretendia permitir circulação livre do público sob esses módulos, ideia substituída pela venda de ingressos em todos os setores.
Reforma e ampliação
Na inauguração, a simetria imaginada pelo arquiteto ficou incompleta devido à preservação da fábrica da Brahma. Entre 2010 e 2012, a demolição do prédio possibilitou a construção de quatro novos módulos de arquibancadas, camarotes, banheiros, postos médicos, áreas de apoio e salas para jurados. A capacidade aumentou de 60 mil para 78 mil espectadores. Niemeyer visitou a obra já concluída e comemorou a finalização de seu desenho original.
Imagem: Datas Dabravolskas
Patrimônio e legado
Desde 2021, a Marquês de Sapucaí é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A passarela se tornou referência para projetos semelhantes, caso do Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, também criado por Niemeyer e inaugurado em 1991. A multifuncionalidade do espaço carioca permitiu, por exemplo, a realização das provas de tiro com arco e da maratona nos Jogos Olímpicos de 2016.
Hoje, o Sambódromo segue como símbolo arquitetônico e cultural do Rio de Janeiro, reunindo todos os anos as cores, os enredos e as alegorias das escolas de samba durante as noites de folia.
Com informações de revistacasaejardim.globo.com

