O ano de 2025 foi classificado como o terceiro mais quente já registrado, ficando atrás apenas de 2024 e 2023, conforme dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). Diante das altas temperaturas, especialistas apontam que soluções arquitetônicas podem reduzir o calor dentro de casa e aumentar o conforto térmico dos moradores.
Materiais com alta capacidade dinâmica
Concreto, tijolo cerâmico e solo-cimento têm maior espessura, armazenam calor por mais tempo e retardam sua transmissão para o interior das construções. Segundo a professora Loyde Abreu, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, quando esses materiais são posicionados no lado interno do isolamento, ocorre um atraso significativo da onda térmica, diminuindo oscilações de temperatura nos ambientes.
Cores claras nas superfícies externas
Pintar fachadas em branco ou tons claros pode deixar a superfície entre 20 °C e 40 °C mais fria se comparada a cores escuras. Combinado a materiais pesados, o acabamento claro reduz em até 4 °C a temperatura que chega aos cômodos, explica Loyde. No interior, tons frios como azul e verde ajudam a criar sensação subjetiva de frescor, embora não alterem a temperatura real quando as paredes não recebem radiação direta.
Brises e cobogós para ventilação e sombra
Elementos vazados, como brise-soleil e cobogós, filtram a radiação solar e permitem a circulação constante de ar. A professora ressalta que a ventilação natural provoca sensação térmica muitas vezes mais agradável do que o fluxo contínuo do ar-condicionado. Os brises podem ser instalados em janelas ou recobrir fachadas inteiras; já os cobogós costumam aparecer em paredes, varandas ou laterais de edifícios.
O professor Pedro da Luz Moreira, da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), menciona o Edifício Copan, em São Paulo, como exemplo: o brise horizontal cria um colchão de ar entre a fachada e a estrutura, facilitando a ventilação dos apartamentos quando as janelas são abertas.
Espaços de transição
Varandas, jardins de inverno e demais áreas semiabertas aceleram a troca de ar entre exterior e interior. A evapotranspiração das plantas sombrea superfícies e reduz a carga térmica, enquanto a ventilação espalha o ar resfriado, detalha Loyde Abreu. Telas retráteis, claraboias e pé-direito duplo também contribuem para o fluxo de ar.
Imagem: André Scarpa
Orientação das fachadas
Direcionar aberturas para captar melhor luz e vento faz diferença. A professora recomenda posicionar quartos voltados para o leste, aproveitando o sol da manhã e evitando o calor da tarde. Fachadas voltadas ao norte costumam receber radiação controlada: sol baixo no inverno e menor incidência direta no verão, melhorando o conforto durante todo o ano.
Os especialistas defendem que o equilíbrio entre temperatura do ar, umidade, radiação e ventilação é fundamental para neutralidade térmica. Ao combinar materiais adequados, cores claras, elementos vazados, áreas semiabertas e orientação correta, projetos residenciais podem atenuar os impactos das ondas de calor registradas nos últimos anos.
Com informações de Revista Casa e Jardim

