Peças emblemáticas do mobiliário nacional estão sendo relançadas por marcas e instituições ligadas a seus criadores, reforçando a relevância do design brasileiro e atualizando materiais sem alterar a essência dos projetos.
Poltrona Arcos, de Sergio Rodrigues
Desenhada em 1968 para o Palácio dos Arcos, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, a poltrona criada por Sergio Rodrigues (1927-2014) tinha produção restrita ao uso diplomático. A reedição, coordenada pelo Instituto Sergio Rodrigues, retomou duas peças originais do acervo para compreender o sistema construtivo, encaixes e proporções.
Segundo Fernando Mendes, presidente do instituto e diretor criativo do Sergio Rodrigues Atelier, apenas os materiais internos — correias elásticas e espumas — foram atualizados. Estrutura delgada, encosto em meia-lua e rodízios cromados permanecem inalterados, preservando leveza visual e ergonomia buscadas pelo designer.
A peça reapareceu em 2025 na exposição sobre a obra de Rodrigues na Embaixada do Brasil em Roma, marcando sua primeira produção seriada.
Poltrona GB UL 19, de Geraldo de Barros
A Dpot acaba de relançar a poltrona GB UL 19, originalmente concebida por Geraldo de Barros (1923-1998) para a fábrica Unilabor nos anos 1950. Mantendo as dimensões da estrutura tubular de ferro da peça original, a nova versão utiliza madeira maciça e concha de lâminas de madeira envolvendo almofadas soltas.
Baba Vacaro, diretora de criação da Dpot, afirma que o projeto estava nos planos da marca desde 2004, quando começaram a relançar o acervo do designer. O móvel integrou a mostra de 50 anos da Unilabor, realizada no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo, sob curadoria de Mauro Claro.
Imagem: Diego Bressani
Luminária Lúmen, de Bernardo Figueiredo
Desenhada na década de 1960 por Bernardo Figueiredo (1934-2012), a luminária Lúmen volta a ser produzida pela Schuster Móveis. A peça, presente há décadas na casa da família do criador, oferece iluminação indireta ideal para composições ao lado de sofás e poltronas.
A reedição passou por estudo detalhado de fotografias, croquis e exemplares originais. Para Ângela Figueiredo, filha do designer, o processo cuidadoso confirma o caráter atemporal da obra, também celebrada em exposição no Museu da Casa Brasileira em 2021.
Os relançamentos mostram como soluções de design desenvolvidas há mais de meio século seguem dialogando com demandas contemporâneas, ao mesmo tempo em que preservam a memória de seus autores.
Com informações de Casa Vogue

