São Paulo – Radicado no Brasil desde 2004, o arquiteto e designer croata Marko Brajovic descreve sua produção como um exercício de observação da natureza. Em entrevista à revista Casa e Jardim, o profissional afirmou que suas obras – espalhadas pelos cinco biomas brasileiros – buscam replicar estratégias de organismos vivos para enfrentar desafios climáticos e sociais.
Formação e chegada aos trópicos
Brajovic se graduou em Arquitetura na Universidade de Veneza, especializou-se em biomimética e tecnologia digital aplicada à construção em Barcelona, onde abriu o primeiro escritório, e desembarcou no Brasil há 20 anos após participar de um projeto habitacional na Amazônia. Em 2006 instalou o Atelier Marko Brajovic na capital paulista.
Referências fora do canteiro
O arquiteto declara que suas principais fontes de estudo são a ecologia, a filosofia e as técnicas construtivas indígenas. Entre as figuras que o inspiram, cita o poeta Ailton Krenak, o arquiteto Richard Buckminster Fuller e a bióloga Lynn Margulis.
Projetos em diferentes biomas
No litoral fluminense, a Aldeia Rizoma, em Paraty, funciona como laboratório de materiais há 15 anos. Na Amazônia, o Mirante do Madadá – a duas horas de Manaus – adota estruturas leves em forma de sementes para abrigar hospedagens, áreas de cura e espaços de lazer integrados à floresta. Já nas margens do Rio Negro, bibliotecas flutuantes e escolas comunitárias foram doadas às populações ribeirinhas e erguem-se com madeira reaproveitada de áreas queimadas.
Entre outras iniciativas, o Laboratório Criativo da Amazônia, no Pará, utiliza módulos geodésicos desmontáveis e membranas de polímeros, enquanto obras na Caatinga combinam terra crua com peças pré-fabricadas de aço.
Materiais e métodos
Contrário ao uso extensivo de concreto, Brajovic prefere bambu, madeira engenheirada (MLC), estruturas metálicas leves e membranas tensionadas. A adoção de elementos industrializados modulares, diz ele, permite reduzir impacto ambiental e facilitar a montagem em áreas remotas.
Imagem: Wesley Diego
Cidade como floresta
Para o ambiente urbano, o arquiteto defende o conceito de “cidade-floresta”, onde parques extrapolam limites, fachadas ventilam naturalmente e pisos consideram humanos e demais espécies. Em São Paulo, já projetou residências que combinam argila de origem controlada, brises de folhas de carnaúba comprimidas e estruturas metálicas.
Integração tecnologia-artesanato
Brajovic utiliza softwares paramétricos e impressão 3D para modelar formas inspiradas na natureza, mas finaliza boa parte das peças com técnicas artesanais. Segundo ele, a convergência entre alta tecnologia e saberes tradicionais é essencial para responder às mudanças climáticas.
Ao avaliar o próprio legado, o arquiteto resume: coragem para experimentar, sensibilidade ética e amor aos seres vivos como motores de uma arquitetura que se entende parte da biosfera.
Com informações de revistacasaejardim.globo.com

