Até 2026, a principal pressão sobre a margem da indústria moveleira deixa de estar no chão de fábrica e se desloca para fora dele: logística e cadeia de suprimentos. A combinação de janelas de entrega cada vez menores, volatilidade de insumos e fretes mais caros faz com que empresas que atuam de forma reativa acumulem atrasos, avarias e custos extras.
Centros de Distribuição mais inteligentes
O modelo de estoques grandes e estáticos cede lugar a Centros de Distribuição (CDs) orientados por dados. Nesse novo formato, a operação passa a integrar:
• Gestão de pátio (YMS): organização de docas, filas e janelas de recebimento para reduzir tempo parado e custo de estadia.
• Picking e movimentação assistida: uso de AMRs, cobots e sistemas de endereçamento, diminuindo avarias em painéis e acabamentos.
• Visibilidade ponta a ponta: sensores IoT monitoram umidade e temperatura durante armazenagem e transporte, protegendo a integridade do material.
Mais do que automação, o CD inteligente traduz operação em informação: fila vira indicador, avaria vira causa e atraso vira previsão.
Colaboração logística ganha espaço
A busca por eficiência impulsiona modelos colaborativos. Dois formatos se destacam:
• Frete compartilhado (backhaul): utilização do retorno de caminhões vazios para transportar matéria-prima ou produtos acabados, reduzindo custo por quilômetro.
• Milk run setorial: rota programada que coleta componentes em vários fornecedores, estabilizando o abastecimento just-in-time e diminuindo a necessidade de grandes estoques.
Ao cortar viagens improdutivas, essas práticas também reforçam metas ESG ao baixar emissões por peça transportada.
Just-in-Time 4.0 aproxima montagem do cliente
Redes de varejo, escritórios e hotelaria mostram tolerância cada vez menor a prazos longos. Para atender esse mercado, operações passam a combinar logística, montagem e roteirização em tempo real. As estratégias mais frequentes incluem:
Imagem: Internet
• Montagem próxima ao cliente: envio do móvel em flat-pack para pontos avançados de montagem, permitindo maior controle de agenda e menor risco na última milha.
• Roteirização dinâmica: softwares recalculam rotas considerando clima, tráfego, greves e janelas de entrega, preservando o cronograma de projetos.
Da reação à previsibilidade
Na comparação entre modelos, a Logística 4.0 substitui grandes volumes estocados por fluxos mínimos e flexíveis, troca contratação de frete spot por rotas otimizadas e contratos colaborativos e migra da visibilidade reativa para a preditiva. O alvo não é apenas reduzir custos, mas assegurar resiliência e nível de serviço.
Próximos passos práticos
Especialistas sugerem cinco ações para tirar o discurso do papel:
1. Mapear pontos de avaria e reentregas.
2. Criar janelas de recebimento com clientes e transportadoras.
3. Padronizar embalagem e unitização.
4. Implantar visibilidade mínima de status, previsão e SLA.
5. Negociar backhaul e milk run regionais onde houver sinergia.
Com isso, a pergunta que se impõe à gestão em 2026 deixa de ser “quanto custa a logística?” e passa a ser “quanto custa não ter previsibilidade?”. Investir em interoperabilidade de dados, rotas inteligentes e colaboração reduz exposição a oscilações e protege a margem em um mercado cada vez mais exigente.
Com informações de Setor Moveleiro

