Nos próximos dois anos, a indústria moveleira brasileira terá de colocar a experiência prática do usuário no centro dos projetos para manter relevância no ponto de venda. Levantamento apresentado no diagnóstico “Varejo de Móveis e Colchões 2025 – Projeções 2026” indica que, até lá, a decisão de compra será guiada menos pela aparência e mais pela utilidade, facilidade de montagem e coerência com espaços cada vez menores.
O que muda na jornada de compra
De acordo com o estudo, o consumidor avalia todos os passos da jornada – do primeiro contato na loja ao pós-venda – e demonstra baixa tolerância a atritos. Promessas que não se confirmam no uso diário provocam frustração e afastam o cliente da marca, abrindo espaço para a “guerra de preços” e pressionando margens.
Funcionalidade como requisito básico
A estética continua relevante, porém perdeu o protagonismo. Ganham peso atributos como:
- modularidade bem planejada;
- armazenamento inteligente;
- ergonomia;
- facilidade de manutenção;
- componentes e ferragens que elevem a experiência.
Com a redução dos ambientes residenciais, cresce a procura por móveis compactos pensados como sistemas. Contudo, o consumidor rejeita projetos que apenas acumulam funções sem lógica de uso.
Preço x valor percebido
O preço segue decisivo, sobretudo no segmento popular, mas o foco está no que o comprador entende receber pelo que paga. Produtos cuja economia compromete durabilidade ou desempenho perdem espaço rapidamente.
Desafios para a indústria
O estudo aponta que desenvolver linhas olhando apenas limitações internas ou demandas do lojista resulta em produtos genéricos e de rápido envelhecimento. Ouvir o usuário final passou de diferencial a requisito, exigindo métodos de teste e validação contínuos.
Imagem: Internet
Papel estratégico do design
O design, segundo o relatório, deixa de ser etapa final e assume função estratégica para reduzir riscos e garantir portfólio coerente. Processos estruturados, como design thinking, e a contratação de estúdios externos trazem visão fresca e ajudam a acertar lançamentos.
O designer de interiores Gilson Vaz, diretor criativo do Estúdio Gilson Vaz e com mais de dez anos de atuação em Pesquisa e Desenvolvimento no setor, reforça que a indústria precisa “oxigenar” seus processos para acompanhar o consumidor, cada vez mais informado e exigente.
Com informações de Setor Moveleiro

