Uma visita ao British Museum, em Londres, na década de 1930, mudou a carreira do designer de interiores norte-americano T.H. Robsjohn-Gibbings. Ao observar vasos gregos do século V a.C., o profissional se deparou com imagens da cadeira Klismos — assento de encosto curvo, assento trançado e pernas em forma de sabre — e decidiu recriar a peça.
Segundo George Manginis, diretor acadêmico do Museu Benaki, em Atenas, não restou nenhum exemplar original. A presença da Klismos está registrada apenas em vasos funerários, cerâmicas pintadas e baixos-relevos.
Revival neoclássico
As primeiras releituras surgiram entre os séculos XVIII e XIX, impulsionadas pelo fascínio europeu pela Antiguidade. Nem todas reproduziram a leveza original; exceção é o conjunto feito para a Villa Kérylos, residência neoclássica do arqueólogo francês Théodore Reinach na Côte d’Azur.
A retomada de Robsjohn-Gibbings
Em 1936, o designer norte-americano lançou réplicas artesanais da Klismos em seu showroom na Madison Avenue, Nova York. Um desses exemplares integra hoje o acervo do Metropolitan Museum of Art.
Desejando produzir em escala maior, Robsjohn-Gibbings procurou o marceneiro ateniense Eleftherios Saridis nos anos 1960. A dupla fabricou modelos em nogueira com tonalidade mel que ainda permanecem em linha. As peças passaram a mobiliar residências da alta sociedade grega e chamaram a atenção do fotógrafo Slim Aarons, que usou uma das cadeiras em um autorretrato na Acrópole.
Imagem: François Halard
Presença constante
De lá para cá, a Klismos nunca saiu de cena. As cadeiras aparecem em casas de nomes como Karl Lagerfeld e Madonna, além da residência da editora de moda Jessica Sailer, projetada pelo arquiteto Remy Renzullo.
Por que ainda atrai?
Para Manginis, que prepara uma exposição dedicada à Klismos, o apelo da cadeira vai além da forma elegante. “Ela vem da era da democracia, da arte clássica”, afirma. “Se Péricles tivesse se sentado em alguma cadeira, seria nesta.”
Com informações de Casa Vogue

