Uma parceria entre o Instituto Denim Brasil e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) quer transformar sobras de tecido da indústria da moda em blocos construtivos para uso em obras civis. O acordo de cooperação técnica, em fase de consolidação, pretende testar a aplicação de resíduos têxteis em escala industrial, atender a requisitos de desempenho e oferecer nova alternativa para o descarte de materiais.
Por que o projeto nasceu
O setor da moda gera grande volume de resíduos. No Brasil, estima-se o descarte anual de cerca de 4 milhões de toneladas, o equivalente a 800 kg por pessoa. Ao mesmo tempo, a construção civil, responsável por elevado consumo de recursos naturais, segue em expansão e busca soluções mais sustentáveis.
Para a professora Giusilene Pinho, do Ifes, especialista em economia circular, o cenário cria oportunidade: “Materiais que iriam para aterros podem entrar em novos ciclos produtivos, reduzindo a extração de matéria-prima virgem”.
Como funciona a conversão
A proposta apoia-se no conceito de design circular. Desde a criação da peça de roupa, já se considera o reaproveitamento do tecido em produtos que atendam às normas da construção civil. Características como composição, resistência, e comportamento térmico ou acústico definem onde o resíduo pode ser aplicado.
Estudos internacionais mostram bons resultados no uso de fibras recicladas como isolante térmico e acústico e em matrizes cimentícias, poliméricas e cerâmicas. O Instituto Denim Brasil aposta nessa evidência para desenvolver blocos, cobogós, placas de isolamento e revestimentos produzidos a partir de jeans descartado.
Etapas e abrangência
O projeto começou com um grupo piloto de 12 empresas do polo têxtil capixaba, que reúne mais de 400 indústrias. Entre elas há fabricantes de commodities, private label, facções e marcas próprias, oferecendo um retrato do ecossistema local. Após a validação técnica, o know-how deverá ser disponibilizado a outros polos do país.
Imagem: Freepik
Além de criar materiais para construção, o Instituto Denim Brasil ficou responsável por registrar e sistematizar todo o conhecimento gerado, formando banco de dados acessível a engenheiros, arquitetos, designers, pesquisadores e gestores públicos.
Potencial econômico e ambiental
Segundo a pesquisadora Giusilene Pinho, a iniciativa reduz resíduos em aterros, diminui a pressão sobre recursos naturais e favorece a inovação. Orivan Baptista, do Instituto Denim Brasil, acrescenta que transformar resíduo em insumo corta custos e gera novo produto com valor econômico, social e ambiental.
O movimento ocorre em meio ao crescimento global do mercado de jeans, estimado em US$ 59 bilhões para 2026, e à produção nacional de 272 milhões de peças em 2023. Quanto maior a fabricação, maior a quantidade de sobras que podem alimentar cadeias produtivas circulares.
Com informações de revistacasaejardim.globo.com

