O luthier norte-americano Aaron Keim realizou a restauração de um cabo de serrote Disston D-8, modelo produzido em meados do século XX, com o objetivo de melhorar a ergonomia da ferramenta. O trabalho, detalhado em 18 de dezembro de 2025, integrou uma série dedicada à adaptação de cabos de ferramentas manuais para aliviar dores nas mãos, condição que Keim enfrenta em razão de tendinite, artrite e hemofilia.
Compra por US$ 5 em centro de reciclagem
Keim encontrou o serrote durante uma visita mensal ao Gorge ReBuild-It Center, espaço de materiais de segunda mão no Oregon (EUA), acompanhado do filho. O instrumento, adquirido por US$ 5, trazia uma lâmina em bom estado, mas um cabo considerado “truncado e desconfortável”.
Desmontagem e análise
A remoção do cabo foi simples: os parafusos de latão niquelado exigiram apenas uma chave de fenda comum, indicando fabricação anterior às décadas de 1970 e 1980, quando peças de metal inferior passaram a ser usadas. Para planejar o novo formato, o artesão comparou o D-8 a dois modelos de referência que possui: um Bishop para cortes longitudinais e um Disston para cortes transversais com orifício extra para o polegar.
Etapas de modelagem
Com o cabo preso em morsa de escultura, Keim reduziu quinas afiadas com grosas e recorreu a limas japonesas para curvas apertadas. Utilizou raspilha para áreas planas e lâmina de barbear nos cantos. A madeira, identificada como possível macieira ou cerejeira, recebeu lixamento progressivo até grão 320.
Entalhe decorativo e acabamento
Inspirado em padrões de “trigo” encontrados em peças antigas, o luthier aplicou entalhe chip carving em golpes firmes e únicos. Após novo lixamento, agora até 400, aplicou corante à base de álcool, seguida de camada de goma-laca e cera.
Imagem: Internet
Ajustes na lâmina
Paralelamente, o artesão removeu ferrugem, regulou o set dos dentes e fez afiação para cortes longitudinais. A lâmina apresenta linha de dentes arqueada (breasted toothline) e espaçamento de 5 dentes por polegada (5 tpi), característica que favorece cortes pesados.
Keim relatou conforto superior tanto no uso com uma mão quanto com duas, prática que ajuda a distribuir o esforço e minimizar a dor crônica. Para o artesão, restaurar ferramentas antigas “ensina sobre a linhagem do objeto e cria senso de posse que produtos novos raramente oferecem”.
Com informações de Fine Woodworking
